Equatorial não paga mortos em descargas elétricas no Piauí
O pedido de indenização corre em processo separado na 3ª Vara Cível de Teresina, mas até agora nada foi resolvido, ao que parece que a vida humana não tem mais nenhuma valia
A mãe da vítima, Raimunda Avelina, de 59 anos, lamentou a demora para conclusão do processo e relatou as dificuldades que os filhos da vítima, com 14 e 11 anos, enfrentam pela ausência da mãe. “Onze anos não são onze dias e até agora não foi resolvido nada. Eu sei que não vai trazer de volta a vida da minha menina, mas esse benefício para os meus netos tem que sair, porque se ela estivesse viva estaria aqui, trabalhando para sustentar eles”, declarou Raimunda.
No dia 10 de outubro de 2011, Ana Carolina, de 21 anos, caminhava pela Avenida Presidente Kennedy com o filho pequeno quando tocou no poste e recebeu uma descarga elétrica. Foi possível desvincular o bebê da mãe no momento do choque e ele foi socorrido. A jovem, no entanto, chegou a ter parte do corpo carbonizada devido à intensidade do choque.
O Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) determinou que a empresa responsável na época, a Eletrobras, hoje Equatorial Piauí, pagasse uma pensão à família da jovem. O pedido de indenização corre em processo separado na 3ª Vara Cível de Teresina, mas até agora nada foi resolvido, ao que parece que a vida humana não tem mais nenhuma valia.
A Equatorial Piauí informou que após a sentença judicial, proferida apenas em agosto de 2019, a companhia apresentou o recurso cabível no exercício regular do seu direito, e aguarda a movimentação processual.
Poste energisado que causou acidente fatal
Contudo, a mãe da vítima afirmou que há dois anos o pai das crianças, responsável por receber o benefício, não repassa o dinheiro para ela. As crianças moram com a avó desde antes da morte de Ana Carolina.
Atualmente, ela e os netos vivem sob a renda do marido dela, que é aposentado, e da revenda de cosméticos feita por ela. “O pai deles mora atualmente em Minas Gerais, com outra família. Eu tinha o cartão do banco e uma procuração, mas há quase três anos descobri no banco que ele tinha cancelado e mudado a senha”, relatou.
Mae cobra providências da Justiça sobre morte da filha
Sem contato com o pais das crianças
“Desse tempo para cá, o dinheiro que ele enviou foi R$ 800 no ano passado para comprar o material escolar. Ele disse que ia mandar mais, mas me bloqueou. Desde então não temos nem contato”, disse Raimunda Avelina.
Por conta disso, a avó procurou a Defensoria Pública e entrou com pedido de guarda dos netos. Porém, ela ainda aguarda decisão. “Procurei a Justiça recentemente e me disseram que havia 400 processos na minha frente”, o que significa ainda mais o descaso e irresponsabilidade com pessoas pobres neste país, afirmou
“Eu me pergunto, esse dinheiro é para o pai ou para os filhos? Porque enquanto isso as despesas deles são todas por minha conta. Por mais que eu faça, não é suficiente”, completou.
Ana Carolina de Oliveira Silva morreu carbonizada ao encostar em poste na Zona Leste de Teresina — Foto: Reprodução
Processo de indenização
Sobre o processo referente à indenização, o advogado da família, Antônio de Pádua, afirmou que o processo aguarda o julgamento pela 3ª Vara Cível de Teresina a 11 anos, de um embargo declaratório proposto pela Equatorial.
“Depois serão julgados os recursos propostos tanto pela empresa, como pela família. Estamos empenhados para uma solução. Contudo, devido à quantidade de recursos cabíveis na lei, e a má-fé da parte adversa que ao invés de tentar resolver o problema tenta protelar até os limites possíveis”, declarou.
“Isso nos deixa de mãos atadas até certo ponto, pois temos que seguir os ritos e prazos impostos pelo judiciário, mas confiamos na Justiça e tenho certeza de que no fim, a família, principalmente os filhos da Ana Carolina, poderão virar essa página da perda da mãe com a certeza de que a justiça foi feita” não se sabe é quando, completou.
Nota de esclarecimento
A Equatorial Piauí lamenta e se solidariza com a família da jovem que perdeu a vida em um acidente envolvendo a rede elétrica em Teresina no ano de 2011, período em que a concessão de distribuição de energia no Piauí era de titularidade da Eletrobras.
A concessionária comunica que, após a sentença judicial, proferida apenas em agosto de 2019, a Companhia apresentou o recurso cabível no exercício regular do seu direito, e aguarda a movimentação processual.
Nota da redação
Trata-se de uma vida perdida e uma família desamparada por irresponsabilidade de uma empresa que se diz favorável aos piauienses. Já era tempo de um posicionamento favorável da Equatorial a favor dos cuidados com sua rede elétrica.
Vão empurrar com a barriga até onde? Até que todos da família morrerem e se deem por vencidos. É a luta do gigante contra Golias. O que falta mesmo é responsabilidade de um justiça forte e preparada, já que é para todos.
Fonte: jonaldacidadepi



