Usuários de ônibus reclamam do transporte público de Teresina com ônibus velhos, atrasos e falta de linhas
A redução da frota afeta principalmente os moradores de bairros mais distantes do Centro. Alguns bairros da zona Sul de Teresina ficam sem ônibus aos finais de semana, principalmente aos domingos.
Quem depende do transporte público em Teresina enfrenta dificuldades que fazem parte da rotina de muitos passageiros. Demora nos pontos de ônibus, veículos lotados, linhas reduzidas e problemas mecânicos estão entre as principais reclamações de quem utiliza o serviço para trabalhar, estudar ou chegar a outros compromissos. A situação é resultado de problemas que envolvem a redução da frota, a falta de manutenção dos veículos e as dificuldades financeiras do sistema.
Um dos principais problemas é a diminuição da quantidade de ônibus em circulação. Segundo dados de um levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a frota de Teresina passou de 459 ônibus, em 2015, para 329, em 2024. No mesmo período, a idade média dos veículos aumentou de 5,5 para 10 anos, mostrando que os ônibus estão cada vez mais antigos.
A redução da frota afeta principalmente os moradores de bairros mais distantes do Centro. Alguns bairros da zona Sul de Teresina ficam sem ônibus aos finais de semana, principalmente aos domingos.
As condições dos ônibus também preocupam os passageiros. Em setembro, vídeos de veículos apresentando problemas durante as viagens circularam nas redes sociais. Um dos casos aconteceu na linha 616, que liga o bairro Irmã Dulce à avenida Miguel Rosa. Em outra situação, registrada em agosto, passageiros precisaram descer de um ônibus para ajudar o veículo a subir uma ladeira entre os bairros Irmão Dulce e Angelim, na zona Sul. Em entrevista ao portal OitoMeia, o representante do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro-PI), Cláudio Gomes, relacionou os problemas à idade dos veículos e à falta de manutenção.
A situação também chegou à Câmara Municipal de Teresina. Em junho de 2026, uma audiência pública reuniu vereadores, estudantes, trabalhadores e representantes de movimentos sociais para discutir os problemas do transporte coletivo. Durante o encontro, foram relatados atrasos, redução de linhas e dificuldades para trocar de ônibus durante os trajetos. Entre as propostas apresentadas estavam o aumento da frota, a revisão dos percursos e uma fiscalização mais rigorosa do serviço.

A própria Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) reconheceu problemas nas condições dos veículos. O órgão informou que a cidade contava com 213 ônibus em circulação nos dias úteis, distribuídos em 78 linhas, com mais de 500 viagens por dia. A idade média dos veículos era de 10,3 anos, enquanto o contrato estabelece o limite de seis anos. Segundo a Strans, os trajetos são acompanhados por GPS e, quando um ônibus apresenta defeito, as empresas responsáveis devem providenciar sua substituição.
Além dos problemas com os veículos, o sistema enfrenta dificuldades financeiras. Representantes do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) já apresentaram ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) um levantamento que apontava um déficit mensal próximo de R$ 4 milhões. Em outras palavras, segundo as empresas, os custos para manter o transporte funcionando são maiores do que o dinheiro arrecadado. Entre os motivos apontados estão a redução do número de passageiros e o aumento das despesas operacionais.
Os problemas na gestão do transporte também foram identificados em uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado, que analisou o funcionamento do sistema entre 2014 e 2022. O levantamento apontou falhas na fiscalização das empresas, dificuldades na integração entre as linhas e problemas no sistema de pagamento das passagens. O órgão recomendou mudanças para melhorar a administração e a qualidade do serviço.
Como tentativa de melhorar a situação, a Prefeitura anunciou um financiamento de R$ 95 milhões junto à Caixa Econômica Federal, além de R$ 5 milhões em recursos municipais. O investimento, que totaliza R$ 100 milhões, deverá ser utilizado na compra de aproximadamente 100 novos ônibus. O planejamento também prevê mudanças nas linhas, estações e terminais. No entanto, a contratação do financiamento ainda não significa que os novos veículos já estejam circulando.
Enquanto as medidas são planejadas, os passageiros continuam cobrando melhorias. Entre as principais reivindicações estão mais ônibus nas linhas com maior movimento, cumprimento dos horários, veículos em melhores condições e atendimento aos bairros que ficam sem transporte em determinados dias da semana.

A melhoria do transporte público de Teresina depende não apenas da chegada de novos ônibus, mas também de manutenção adequada, horários cumpridos e fiscalização das empresas responsáveis pelo serviço. Para quem utiliza o transporte coletivo todos os dias, ter um ônibus disponível no horário esperado significa mais do que facilidade de deslocamento: representa conseguir chegar ao trabalho, à escola, à universidade e aos serviços de saúde sem enfrentar longas esperas.
Matéria Eduarda Barradas – superviosionada pelo jornalista Nilson Santos – RJ23382JP



