
Sudeste é a região mais atingida, segundo estudo e a maior proporção dos que enfrentam insegurança alimentar está no Norte e Nordeste do país; em números absolutos.
Três em cada dez famílias brasileiras enfrentam algum nível de falta de alimentos e passam fome. É o que mostra um estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (PENSSAN), divulgado nesta quarta-feira (14). Em números absolutos, são 125,2 milhões em insegurança alimentar.
Dados regionais
A maior proporção de famílias nessa situação está nas regiões Norte e Nordeste do país. Alagoas é o estado em que os casos de insegurança alimentar grave são mais frequentes, atingindo 36,7% das famílias pesquisadas.
Em segundo lugar, vem o Amapá, com 32% dos domicílios nessa situação. Na sequência, estão Pará e Sergipe, ambos com 30% da população atingida.
Veja no gráfico abaixo:

Os dados alarmantes foram trazidos à tona pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssam) há cerca de um mês, quando foi divulgado o II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (II Vigisan). A pesquisa ocorreu entre novembro de 2021 e abril de 2022 com 12.745 domicílios nas 27 unidades da federação representativos da população brasileira.
Essa situação atinge em cheio as crianças e adolescentes. Nos lares de famílias com crianças menores de 10 anos, a fome dobrou: foi de 9,4% em 2020 para 18,1%.
Ela também é maior nos domicílios que têm três ou mais pessoas com até 18 anos de idade, chegando a 25,7%, frente a 13,5% nos lares cujas famílias são compostas apenas por adultos.

Não há dúvidas que a pandemia de Covid-19 contribuiu muito para a atual situação de insegurança alimentar que temos no Brasil. Mas ela não é a única causa, já que desde 2018 vemos os números de pessoas com fome crescendo.
A fome é maior nos domicílios em que a pessoa responsável está desempregada (36,1%), é agricultora familiar ou produtora rural (22,4%) ou tem emprego informal (21,1%). Nos lares em que a responsável tem emprego formal, a fome está presente em apenas 7,4% dos lares – sendo que mais da metade (53,8%) se encontram em situação de segurança alimentar.
Além disso, em 55,2% dos domicílios em situação de insegurança alimentar grave ou moderada houve a pausa nos estudos de pelo menos um dos membros familiares para ajudar a família a complementar a renda.
O que é preciso fazer 
✏️ Fortalecer o Pnae e outras políticas sociais
Diante dessa situação, a escola tem um caráter mais emergencial de ser o local onde as crianças de famílias mais vulneráveis conseguem a principal – se a não única, muitas vezes – refeição do dia, por meio da merenda escolar.
É por isso que fortalecer o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) é tão importante. Instituído em 2009 pela Lei n° 11.947, o Pnae é o principal responsável por garantir a segurança alimentar e nutricional das(os) estudantes brasileiras(os). Ele repassa cerca de R$ 4 bilhões aos 27 estados e 5.570 municípios brasileiros (que devem complementar esse valor com seus próprios recursos), permitindo o atendimento de cerca de 41 milhões de estudantes.
O Pnae também estipula que 30% do valor repassado seja destinado à compra de alimentos vindos da agricultura familiar, trazendo geração de renda e o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades locais.
Para Maitê, é preciso garantir condições imediatas para as pessoas que estão atualmente passando fome. Isso significa o fortalecimento do sistema nacional de assistência social e dos programas de transferência de renda. “Quem tem fome tem pressa, e é preciso manter o poder de compra das famílias”, destaca.
Mas, em longo prazo, ela acredita que é preciso pensar em estratégias para impedir o retrocesso e o desinvestimento, retomando investimentos públicos e se inspirando em políticas públicas realizadas na primeira década dos anos 2000 que fizeram com que o Brasil reduzisse a fome a menos de 4% em 2014.
Fonte: cenpec.org.br



