Em meio à crise do caso Master, Fachin afirma que os fatos revelados exigem firmeza e serenidade
Presidente do Supremo Tribunal Federal declarou que o cargo de ministro impõe deveres, limites e responsabilidades.
O presidente do STF – Supremo Tribunal Federal se manifestou nesta quarta-feira (2) em meio à crise do caso Master. Luiz Edson Fachin afirmou que os fatos revelados exigem firmeza e serenidade. O ministro prometeu anunciar medidas nos próximos dias.
Na terça-feira (1º), vieram a público as 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Nelas, o banqueiro, que é investigado por fraudes bilionárias, recorre ao ministro atrás de informação, orientação e intervenção dele na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República.
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Em meio à crise do caso Master, Fachin afirma que os fatos revelados exigem firmeza e serenidade — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O ministro Edson Fachin se manifestou durante um evento no Supremo Tribunal Federal na manhã desta quarta-feira (2). O presidente do STF classificou o momento como de “especial gravidade” e disse que há sérios elementos de fatos que exigem serenidade e firmeza:
“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição. Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional, circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fato que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza”.
Fachin falou sobre a responsabilidade de quem exerce o cargo de ministro do Supremo:
“A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal. Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e os procedimentos institucionais pertinentes, esta presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”.
Durante a sessão da tarde desta quarta-feira (2) no plenário do Supremo, nenhum dos ministros falou sobre as revelações de terça-feira (1 °). Alexandre de Moraes e André Mendonça sentaram-se lado a lado, como de costume, e participaram dos julgamentos.
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Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Na terça-feira (1º) de manhã, o jornal “O Estado de S. Paulo” revelou uma série de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Elas fazem parte de um relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master.
Ainda na terça, no início da tarde, André Mendonça, relator do caso, levantou o sigilo sobre o documento. A PF encontrou 52 mensagens entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez. Na época, o Master já era investigado pela PF por suspeita de fraudes em operações financeiras.
De acordo com a Polícia Federal, Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes trocavam mensagens sobre as investigações envolvendo o banco e combinaram encontros. Os investigadores apontaram que Vorcaro e Moraes estiveram juntos ao menos oito vezes, de abril de 2024 a agosto de 2025.

Ministro comunicou ao presidente do STF, no domingo (30), o teor da decisão que retirou o sigilo das mensagens entre Vorcaro e Moraes. Os ministros André Mendonça e Edson Fachin | Reprodução
Não é possível visualizar as mensagens escritas por Alexandre de Moraes. As respostas do ministro eram enviadas como imagens de visualização única e não foram recuperadas pela Polícia Federal.
Em uma mensagem enviada no dia 15 de novembro, dois dias antes de ser preso ao tentar fugir do Brasil, Vorcaro escreve ao ministro:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
No dia seguinte, um dia antes da prisão, Vorcaro sugeriu um encontro com Moraes:
“Às 14h então. Passo na sua casa ou prefere na minha?”.
Pouco depois, ele escreve:
“Bom dia. Já estou em voo, vou pousar 14h20 e irei direto para aí, tudo bem?”.
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um avião particular para Dubai.
O relatório também inclui conversas entre Vorcaro e um funcionário do escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro. Em outubro de 2025, Vorcaro e o funcionário do escritório de advocacia falaram sobre cartões de crédito que foram emitidos pelo Banco Master para dois filhos de Alexandre de Moraes – Giuliana e Alexandre Barci de Moraes – com limite de R$ 300 mil para cada um. O escritório Barci de Moraes declarou que os cartões oferecidos pelo Master jamais foram usados por qualquer pessoa.
Com informações do G1



