Câmara faz audiência pública sobre o caos no transporte de Teresina com ausência da Prefeitura
Fala-se agora na implementação de ônibus operados apenas por motoristas — sem a figura do cobrador — para tentar reduzir custos, uma medida que gera preocupação imediata no SINTETRO.
O transporte público de Teresina vive, há mais de 20 anos, um ciclo de promessas não cumpridas e descaso com o cidadão. Nesta segunda-feira, dia 1º de junho, a Câmara Municipal de Teresina promoveu uma audiência pública para discutir a crise no setor, mas o que se viu foi um cenário de frustração e indignação.
Cadeira Vazia” da Gestão Municipal
O momento de maior constrangimento durante o debate foi a ausência de um representante oficial da Prefeitura de Teresina. Enquanto estudantes da UFPI, representantes do Ministério Público, da OAB-PI, UNE, líderes estudantis e vereadores debatiam soluções urgentes, o Executivo Municipal optou por não enviar ninguém para prestar contas.
“É um desrespeito com a população. A audiência reuniu quem realmente sofre na ponta, mas a Prefeitura, que detém a caneta e o poder de decisão, simplesmente virou as costas para o debate”, afirmou representantes de entidades que participaram da audiência pública.
O drama dos estudantes e a falha no sistema
Os relatos são alarmantes. Estudantes da UFPI, que enfrentam aulas até as 22h, encontram um sistema que simplesmente “desliga” após certo horário. A reitoria da universidade já formalizou pedidos para que o transporte funcione pelo menos até os shoppings da capital, onde a frota ainda circula, mas a solução continua travada no “jogo de empurra”.

Estudantes na Câmara cobrando solução para o transporte de Teresina – Imagem da Internet.
Aos finais de semana, a situação é ainda pior: a frota é reduzida à metade sob a justificativa de “baixa demanda”, deixando trabalhadores e estudantes esperando por horas nas paradas.
Tarifa Zero e o futuro do setor
O vereador João Pereira (PT), autor da audiência, defende um modelo de transporte livre, inspirado no sucesso do metrô de Teresina, onde o subsídio do Governo do Estado garante o acesso gratuito à população. A proposta é clara: um sistema moderno, eficiente e, acima de tudo, um direito garantido.

Vereador João Pereira incorpora no vestuário o chapéu do presidente Lula. Imagem da internet
Veja o vídeo com o vereador João Pereira e diretor da UNE-UFFPI:
No entanto, o embate gira em torno do repasse milionário feito mensalmente ao SETUT, enquanto o sistema segue sucateado. Fala-se agora na implementação de ônibus operados apenas por motoristas — sem a figura do cobrador — para tentar reduzir custos, uma medida que gera preocupação imediata no SINTETRO, que exige participação no processo e garantia de emprego para a categoria.



