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Pedro Cardoso apoia condenação de Leo Lins e critica stand-up

Na publicação, o ator, conhecido pelo personagem Agostinho em A Grande Família, declarou que o stand-up no país se tornou “um ninho onde se desenvolveu o ovo da serpente do fascismo”.

O ator Pedro Cardoso se manifestou nas redes sociais sobre a recente condenação do humorista Leo Lins, que recebeu pena de oito anos e três meses de prisão por veicular conteúdos considerados discriminatórios em um show realizado em 2022. Para Cardoso, parte do humor feito no Brasil, especialmente no gênero stand-up, tem sido utilizado como disfarce para discursos de ódio e posturas autoritárias. Com informações do Metrópoles.

Na publicação, o ator, conhecido pelo personagem Agostinho em A Grande Família, declarou que o stand-up no país se tornou “um ninho onde se desenvolveu o ovo da serpente do fascismo”. Segundo ele, embora nem todos os comediantes compartilhem dessas práticas, há um número relevante de profissionais que se aproveitam do palco para disseminar mensagens preconceituosas sob o pretexto de humor. Cardoso ainda afirmou compreender a condenação de Lins, defendendo que piadas racistas ou misóginas devem ser responsabilizadas quando ultrapassam os limites da ficção.

Leo Lins foi condenado pela Justiça Federal com base na Lei do Racismo e no Estatuto da Pessoa com Deficiência. O processo ocorreu na 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo e considerou que o conteúdo veiculado pelo comediante, direcionado a diversos grupos sociais, não poderia ser protegido pela liberdade de expressão. A sentença ainda inclui multa e indenização por danos morais coletivos. Enquanto o caso gerou forte repercussão, nomes como Danilo Gentili, Leandro Hassum e Marcos Mion vieram a público em defesa do humorista.

Veja o pronunciamento de Pedro Cardoso na íntegra

“Bom dia. Sobre Leo Lins, sugiro que leiam, no site Pretessências, a opinião de Aquiles Argolo. As palavras de Argolo, como sempre, dão-nos a dimensão da potência da violência racista no brasil; e a proporcional reação que, ainda bem, lhe oposta.

Agora, o meu ponto: Eu tenho dito, faz muito tempo, que o tipo de teatro a que chamam “stand up” se tornou um ninho no brasil onde se desenvolveu o ovo da serpente do fascismo. Não todos, mas tantos comediantes de “stand up” se permitiram as mal educações fascistas que se pode dizer de uma generalidade com exceções.

A razão pela qual o gênero “stand up” se prestou a ser tal incubadora se deve a nele o comediante, aparentemente, poder prescindir de representar um personagem e falar, com pretensa graça, na sua primeira pessoa, mantendo-se, entretanto, protegido pois tudo seria ficção.

Comediantes com mensagens fascistas valeram-se do “stand up” e disfarçaram de entretenimento teatral cômico o que era discurso político agressivo. Violentaram o teatro. Pessoas de lados oposto fizeram o mesmo. Acirra-se assim a violência e a conversa pacífica é destruída, atendendo ao interesse dos autoritários. E o teatro, lugar da provocação pela dialética, é reduzido a palanque de agressores, originais ou reativos.

Teatro sem personagem é uma doença do autoritarismo. O público hoje já tem dificuldade de rir de um personagem agressivo por receio de estar aprovando, com seu riso, o que seria a agressividade da pessoa que o representa. Confusão provocada por comediantes irresponsáveis.

Não há crime em ato ficcional narrativo. Personagens são fantasma imateriais. Mas quando o autor toma o lugar do personagem, o ato ficcional se torna disfarce onde se esconde um ato real. Questão de imensa sutileza. Criminalizaremos os versos misóginos do Funk? Nunca se quem os estiver dizendo for o personagem que canta.

Mas devemos criminalizar a piada racista, ou a misoginia, quando o ato já não for ficcional, ainda que disfarçado de o ser. No mais, o que diz Argolo sobre o pacto macabro da branquitude, é a mais absoluta verdade. Insisto no meu ponto: Só o personagem nos salva de nós mesmos. E enquanto isso, Carla foge.”

Com infirmações do Metrópoles

 

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