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Dino discute com Moro, Flávio e do Val em audiência

'Se o senhor é da SWAT, eu sou dos Vingadores'

O ministro da Justiça, Flávio Dino, trocou farpas nesta terça-feira (9) com os senadores da oposição Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sergio Moro (União-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES). Em determinado momento, Dino disse a do Val que “se o senhor é da Swat, eu sou dos Vinagadores”. Do Val se apresenta como instrutor do grupo tático especial da polícia dos Estados Unidos.

As discussões ocorreram durante audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado.

O início da troca de farpas ocorreu quando do Val disse esperar que o ministro da Justiça seja afastado, responsabilizado e preso pelos estragos promovidos por bolsonaristas radicais nas sedes dos Três Poderes durante os atos de 8 de janeiro.

Marcos do Val exibiu um vídeo de entrevista de Dino, concedida após os do 8 de Janeiro.

“O senhor coloca a questão de que o presidente tinha ciência [dos atos]. Eu sempre disse isso para todos vocês, desde o dia 9 de janeiro. Aqui não é CPMI [dos Atos Golpistas], eu tenho todo o material aqui, comprovando tudo e mais outras coisas, que vou apresentar na CPMI. E eu espero que o ministro seja, consequentemente, afastado e, se possível, até preso, como foi o ministro André Mendonça, aliás, André Mendonça não, o ministro Anderson Torres, que nem no Brasil estava”, afirmou do Val.

 

O senador Marcos do Val, na Comissão de Segurança Pública do Senado — Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Marcos do Val, na Comissão de Segurança Pública do Senado — Foto: Pedro França/Agência Senado

Em resposta a Marcos do Val, Dino disse que não dispensou a Força Nacional no dia dos atos, e que não recebeu relatórios da Agência Brasileira de Inteligência sobre possíveis ataques.

“O senhor pergunta: ‘o presidente Lula foi avisado?’. Claro que foi. Quando eu cheguei, eu telefonei pra ele, e eu digo na entrevista que o senhor mostrou: ‘Claro que ele já sabia’. É porque em Araraquara [onde Lula estava no dia 8 de janeiro] tem televisão”, afirmou o ministro.

Dino disse ainda que o senador faz vídeos agressivos e obsessivos contra ele nas redes sociais. Disse ainda que o parlamentar faz “construções mentais muito singulares que não tem ligação com os fatos”.

Na sequência, o ministro ironizou o senador:

“Não precisa o senhor ir para a porta do Ministério da Justiça fazer vídeos de internet. Porque, se o senhor é da Swat, eu sou dos Vingadores, o senhor conhece? Capitão América….”, afirmou o ministro da Justiça em referência à série de filmes sobre super-heróis.

A fala de Dino provocou risos dos presentes à audiência pública.

O ministro Flávio Dino (Justiça), durante audiência em comissão do Senado — Foto: Pedro França/Agência Senado

O ministro Flávio Dino (Justiça), durante audiência em comissão do Senado — Foto: Pedro França/Agência Senado

Discussão com Moro

Mais adiante na comissão, Dino se desentendeu com Moro. O senador disse que o ministro estava respondendo às perguntas com deboche.

Eu vim aqui como ministro e senador da República para ser respeitado. Se um senador acha que pode cercear minha palavra, se um senador diz que eu tenho que ser preso, isso é respeito? Pense bem, pense com a sua consciência”, afirmou Dino.

Ao continuar sua fala, o ministro disse que foi juiz e nunca fez “conluio” com o Ministério Público, numa referência às acusações de que Moro e o Ministério Público combinavam de forma irregular ações na operação Lava Jato.

“Eu sou uma pessoa honesta, ficha limpa. Eu fui juiz. Nunca fiz conluio com o Ministério Público. Nunca tive sentença anulada. E por ter sido um juiz honesto, ter sido um governador honesto, é que eu não admito que alguém venha dizer que eu deva ser preso. Isso é desrespeito”, completou Dino.

Moro respondeu:

“Se tiver deboche, eu não concordo. Tenho que interromper. Eu conheço muito bem a lei. Sei que na minha gestão reduzimos os assassinatos em 20%. Não aceito ser tratado com deboche”, rebateu o senador.

Atrito com Flávio

Dino também teve um embate com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Flávio questionou o ministro se ele atuaria para mitigar os efeitos da chamada “ADPF das Favelas”, ação na qual o Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu, em 2020, as operações policiais em comunidades durante a pandemia de Covid-19.

Flávio argumentou que o partido de Dino, o PSB, é um dos autores da ação e que a medida está “sendo muito nociva para o meu estado [o Rio de Janeiro]. “Os policiais continuam morrendo, e os traficantes estão cada vez mais fortes. O Rio de Janeiro caminha para uma realidade de narcomilícias”, disse.


Dino respondeu:

“Até o senador Flávio Bolsonaro falou sobre narcomilícia. É um tema que ele conhece muito de perto. Esse casamento de milícia com narcotráfico. Ora, é claro que em relação aos CACs [caçadores, atiradores e caçadores] também ocorreu isso. Infelizmente, criminosos viraram CACs, e CACs também se associaram a práticas criminosas, por isso tem ocorrido as prisões.”

Outros pontos

Na audiência, o titular da Justiça disse que empresas que gerenciam redes sociais querem “chantagear” e “ameaçar” a classe política para evitar o avanço do projeto que prevê regras e mecanismos contra a disseminação de conteúdos falsos e de extremismo na internet (PL das Fake News).

Dino também disse que o governo instalará, na próxima quarta (10), um novo comando na Terra Indígena Yanomami para retirar garimpeiros e criminosos do território.

(Com informações do G1)

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