Reunião entre trabalhadores do transporte público e empresários de Teresina termina sem acordo
A greve é por conta dos salários dos trabalhadores do setor que estão congelados desde 2019. Além disso, a categoria afirma que, em 2020, ficou sem ticket alimentação e plano de saúde.
O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região promoveu uma reunião na tarde desta quarta-feira (23) entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) e Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) para tratar sobre as reivindicações dos motoristas e cobradores de ônibus de Teresina, que estão em greve desde segunda-feira (21).
Foram duas horas e meia de negociações, contudo, as categorias não chegaram a um acordo e a paralisação dos trabalhadores vai continuar.
“O impasse é porque as duas categorias têm pouco a oferecer em razão do sistema de transporte público coletivo, que ele já vem passando por uma situação periclitante de muito tempo. São perdas mútuas e é necessário reconstruir isso e não se reconstrói perdas antigas e passadas em um passe de mágica. Nosso pedido é que ambas as categorias possam vislumbrar algo, uma luz, se não agora, mas um compromisso daqui a três, quatro meses, quando eles tiveram mais oxigenados”, afirmou a desembargadora do TRT-PI, Liana Chaib.
O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, informou que não há como o sindicato pedir para que os motoristas e cobradores voltem a trabalhar devido às dificuldades que a categoria vem passando. Além disso, o sindicalista pediu que a Prefeitura de Teresina participe das reuniões, para que os impasses sejam resolvidos o mais rápido possível.
“O trabalhador cruzou os braços. A gente não tem como pedir que os trabalhadores trabalhem diante da situação que eles estão passando. Há várias irregularidades por parte de muitas empresas, há pouquíssimas pagando o salário de 2019, que é determinado na CLT. Muitas empresas não cumprem nem o que está acordado nos contratos. Nós ouvimos o patronal, eles conhecem nosso sofrimento, o nosso clamor, mas não houve avanço. É necessário que a prefeitura participe, até porque foi promessa de campanha, porque ela é fundamental”, comentou Antônio Cardoso.
Em nota, a Prefeitura de Teresina comunicou que “sempre esteve à disposição para mediar as negociações entre trabalhadores do transporte público e empresários” e que foi feita uma proposta ao Setut para o pagamento de um auxílio às empresas de ônibus em mais de R$ 800 mil, além do que já é pago no acordo, para compensar o aumento do combustível. Entretanto, o sindicato “não se dispôs a propor o acordo coletivo com os trabalhadores”. Confira a nota na íntegra ao fim da reportagem.
Terceiro dia de greve
Os trabalhadores do transporte coletivo entraram no terceiro dia de greve em Teresina nesta quarta-feira (23). Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário (Sintetro), Antônio Cardoso, apesar de a Justiça do Trabalho determinar que 80% da frota de ônibus circulasse em horário de pico, apenas dois ônibus estão na rua.
O presidente explicou que o sindicato está respeitando a ordem judicial, mas que não pode obrigar todos os trabalhadores a saírem de suas casas para ir trabalhar.
Ainda segundo o presidente, os trabalhadores aguardam uma conversa com a Superintendência de Transporte e Trânsito (Strans), ou com o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) acerca das reivindicações.
“Estamos respeitando a ordem judicial sim, mas uma coisa que a gente não pode é obrigar ninguém a trabalhar. Nós estamos aguardando um chamado ou do Setut, da Prefeitura ou da Strans, que são os órgãos envolvidos direto nessa questão”, pontou o presidente.
Cidade já tem frota reduzida sem greve
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Passageiros aguardam mais de uma hora por ônibus no Centro de Teresina. — Foto: Layza Mourão/ g1 Piauí
A capital tem atualmente, segundo o sindicato dos trabalhadores e dos empresários, 200 ônibus disponíveis. Nos horários de pico, então, 160 devem circular. Nos demais, 120 devem sair às ruas para atender a população.
Contudo, os 200 ônibus já representam menos da metade do que circulava na capital até 2017, quando 413 compunham a frota.
A Superintendência de Transporte e Trânsito (Strans) informou que, diante da greve, 250 veículos alternativos foram contratados para substituir os ônibus durante o movimento grevista.
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Usuários do transporte coletivo em Teresina — Foto: Ravi Marques/TV Clube
População sofre ainda mais com a situação da falta de ônibus em Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1
O presidente do Sintetro Antônio Cardoso afirmou que os salários dos trabalhadores do setor estão congelados desde 2019, e em 2020 os trabalhadores ficaram sem ticket alimentação e plano de saúde.
“A gente queria pedir desculpas e o apoio da população. Estamos fazendo essa greve porque estamos necessitando. Estamos praticamente passando fome”, disse Antônio Cardoso.
Nota da Prefeitura de Teresina:
A Prefeitura de Teresina Informa que sempre esteve à disposição para mediar as negociações entre trabalhadores do transporte público e empresários.
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