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TSE forma maioria para anular votos de Garotinho; decisão abre caminho pra eleição de Ruas no 1º turno para governador do RJ

Maioria dos ministros também votou para rejeitar o pedido de desistência de Garotinho de um recurso contra a decisão que negou sua candidatura.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria nesta quinta-feira (8) para anular os votos recebidos pelo candidato ao governo do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno das eleições do último domingo (4).

Os ministros também decidiram rejeitar o pedido de desistência dele de um recurso contra a decisão que negou sua candidatura (entenda o impasse que levou ao julgamento mais abaixo).

Com isso, o TSE defendeu uma retotalização do resultado das urnas. Na prática, isso significa que Douglas Ruas (PL-RJ) deve ser eleito governador do estado no primeiro turno, sem a necessidade de uma nova votação em 25 de outubro.

Votaram a favor do entendimento o relator, Floriano de Azevedo, André Mendonça, Estela Aranha e Dias Toffoli.

Em seu voto que consolidou a maioria, o ministro Toffoli afirmou: “Não é que é nula a capacidade política. Ela é inexistente. O que é inexistente é desconsiderado a qualquer tempo, a qualquer hora. Então, por muito mais razão sendo condições de elegibilidade, não há como computar esses votos como votos válidos para nenhum fim”.

Com a anulação dos votos em Garotinho, a quantidade de votos válidos no pleito são reduzidos, permitindo a Ruas ser declarado governador do Rio sem segundo turno.

No domingo (4), Ruas teve 4.271.199 votos e apareceu com 49,27% dos votos válidos. Paes, segundo colocado, recebeu 3.706.984 votos, ou 42,76%.

Douglas Ruas e Eduardo Paes — Foto: Leandro Oliveira / TV Globo e Bruno Grubertt / TV Globo

Douglas Ruas e Eduardo Paes — Foto: Leandro Oliveira / TV Globo e Bruno Grubertt / TV Globo

Garotinho teve 274.411 votos, equivalentes a 3,17%. Sem os votos de Garotinho na base de cálculo, o percentual dos candidatos subiu. Com isso, Ruas passou a ter 51% dos votos válidos, o que deve fazer dele o governador eleito em primeiro turno.

Garotinho inelegível

Em setembro, o TRE considerou Garotinho inelegível, porque ainda estaria sob os efeitos da condenação por improbidade administrativa, dano ao erário e enriquecimento ilícito de terceiros.

O caso chegou ao TSE. Primeiro, a Corte liberou Garotinho para fazer campanha e permitiu acesso a recursos públicos para a campanha. Depois, o caso teve decisões individuais conflitantes.

O relator do caso, Floriano de Azevedo Marques, determinou que os votos de Garotinho deveriam ser anulados. Com isso, não seriam considerados válidos.

Anthony Garotinho participa de coletiva após o debate na Globo — Foto: Globo/Manoella Mello

Anthony Garotinho participa de coletiva após o debate na Globo — Foto: Globo/Manoella Mello

No domingo, o presidente do TSE, Nunes Marques, fixou que os votos dele seriam considerados no cálculo dos percentuais obtidos pelos candidatos ao governo do Rio até que o plenário da Corte decida sobre a manutenção da rejeição do registro de candidatura.

Depois do resultado nas urnas e diante da indicação de um segundo turno, a defesa de Garotinho acionou o TSE pedindo a desistência do recurso. A medida ajudaria Ruas e provocou críticas, especialmente na campanha de Paes.

O TSE tem entendimento de que a desistência de um recurso é inadmissível quando o ato puder alterar o quociente eleitoral, que define o número de votos necessários.

Isso porque o julgamento do recurso deixa de ser apenas do candidato, porque há um potencial de interferência quanto ao resultado da eleição, passando a ser considerado um interesse de toda a coletividade, ou seja, um direito indisponível.

Nos bastidores, ministros apontam que o caso pode provocar debates no plenário da Corte. A coligação de Eduardo Paes pediu que o TSE deixasse Garotinho fora da disputa, mas reconhecendo os mais de 274 mil votos no cálculo para o quórum, o que manteria o segundo turno.

O Ministério Público Eleitoral (MPE), no entanto, entendeu que o caso de Garotinho é uma exceção e que, como ele está inelegível, seria possível acolher a desistência.

Com informações do G1

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