CORDÃO DE ISOLAMENTO: Deputados dão “cano” em prefeito de Sebastião Barros
O isolamento político se deu após operação da PF e prisão onde o prefeioto Pablo Carvalho foi alvo da operação.
O clima festivo da 22ª Vaquejada de Pitombas, tradicional evento cultural de Sebastião Barros, acabou ofuscado por um ruidoso silêncio político neste fim de semana. O cronograma oficial impresso e distribuído pela prefeitura trazia, com destaque para o sábado (13), uma agenda estratégica: a “Recepção aos Deputados”. No entanto, o palanque ficou completamente vazio. Em um movimento coordenado de bastidores, os deputados simplesmente deram um “cano” histórico no prefeito Pablo Carvalho e não apareceram para o evento.
A ausência em massa dos deputados federais e estaduais foi lida imediatamente por analistas locais como um claro “cordão de isolamento” esticado em torno do prefeito e de seu grupo político, que agora amargam a solidão do poder.
O fantasma da Polícia Federal no palanque
O “cano” coletivo da comitiva de deputados ocorre menos de uma semana após o terremoto provocado pela Operação Expansão de Domínio, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação mira fraudes em licitações e desvios de recursos federais na saúde do município.
O desgaste da imagem do Executivo agravou-se ainda mais com o fato de o prefeito ter sido preso em flagrante pelos agentes federais durante a operação, após uma pistola e munições irregulares de calibre .380 serem encontradas em sua residência. Para piorar o cenário da gestão, que tenta desesperadamente se reerguer após o episódio da prisão por posse ilegal de arma de fogo, as três frentes de investigação abertas simultaneamente pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) por fraudes em contratos deram contornos técnicos e jurídicos gravíssimos ao escândalo recente.

Iniciando um período de intensas articulações políticas no estado, a palavra de ordem no universo parlamentar passou a ser autopreservação. Deixar o prefeito falando sozinho e aplicar o “cano” foi a estratégia adotada por parlamentares que, hoje, consideram um risco eleitoral inadmissível fotografar, discursar ou apenas ser visto ao lado de gestores que foram alvos de prisão e que estão sob a mira direta da PF. O receio de que o rastro das investigações contamine suas próprias bases fez com que os deputados preferissem o constrangimento da ausência à exposição pública.
O churrasco do constrangimento
De acordo com relatos de bastidores, o tradicional “Churrasco do Vaqueiro”, que historicamente serve como uma demonstração de força, prestígio e união política, transformou-se no retrato do isolamento do Executivo. Sem as lideranças estaduais para anunciar emendas, prometer investimentos ou dividir o palanque, o evento expôs a fragilidade em que a cúpula municipal mergulhou nos últimos dias.
Se em anos anteriores a prefeitura garantia tapete vermelho e trânsito livre com grandes lideranças em Teresina, o cenário mudou drasticamente após a ação policial. A blindagem política ruiu, o “cano” dos deputados foi o recado definitivo e os aliados de outrora decidiram que, até que a poeira das investigações baixe, o melhor é manter a agenda oficial e a imagem bem longe do Prefeito Pablo.
Com informações do redação/instagram



