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Botafogo em crise financeira: dívidas com jogadores e ordem de cortes causam incerteza na SAF

Com direitos de imagem em atraso, houve uma conversa entre direção e elenco antes da partida contra o Volta Redonda. Orientação é reduzir gastos em todos os departamentos

O Botafogo vive seu momento mais delicado financeiramente desde que se tornou SAF, no início de 2022. Com transfer ban imposto pela Fifa por não ter pago ao Atlanta United o valor referente à contratação de Almada, o clube também está em dívida com seu elenco. Os jogadores têm dois meses de direitos de imagem atrasados.

Como de costume nos clubes, o pagamento dos atletas é dividido entre CLT e direito de imagem. Os vencimentos da carteira estão em dia, mas o valor referente às imagens, não. Chegou a ficar três meses atrasado, porém uma das folhas foi paga nesta semana.

O Botafogo quitou parte do saldo referente aos direitos de imagem antes da partida contra o Volta Redonda, na quarta-feira. Nos dias anteriores, houve uma conversa entre o elenco e a diretoria sobre o assunto. Com o pagamento de uma das parcelas sendo realizado na terça, o grupo se apresentou na quarta de manhã para a disputa da partida, vencida pelo Botafogo por 1 a 0.

Na entrevista coletiva pós-jogo, o zagueiro Barboza relatou incômodo com a situação. Ao ser perguntado sobre a negociação para a renovação de seu contrato, o capitão alvinegro respondeu da seguinte forma.

— Estou falando com o clube, não tem nada fechado. Eu tive várias propostas, mas a prioridade é ficar no Botafogo. Eu não quero ir embora, eu quero ficar. Tem coisa que não depende de mim. O clube primeiro tem que regularizar a situação e eu ter a certeza do que vai acontecer daqui para frente. Não tem nada fechado ainda.

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Há mais dívidas com os jogadores. Alguns atletas estão com o FGTS atrasado, conforme informou o jornal “O Globo” nesta quinta, e outros têm luvas por receber. O pagamento da premiação da Copa do Mundo de Clubes, disputada no meio de 2025, passou meses em atraso, mas o clube conseguiu regularizá-lo.

Pelo lado dos empresários, as comissões de algumas negociações também estão atrasadas. O ge ouviu relatos de diferentes agentes que recomendaram nos últimos meses que seus jogadores não fechassem com o Botafogo. Procurada pela reportagem, a SAF alvinegra não se manifestou.

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Corte de gastos

No dia a dia da SAF, a ordem é cortar gastos em todos os departamentos — a redução passa também pela base do futebol masculino, que tem ameaçada sua participação em torneios de categorias fora do país, e pelo futebol feminino. Funcionários relatam clima de insegurança e incerteza sobre o futuro. Uma reclamação constante diz respeito à ausência de John Textor, que não aparece no Brasil desde a primeira semana de dezembro, antes do transfer ban.

O diretor de gestão esportiva do Botafogo, Alessandro Brito, admitiu na terça-feira a necessidade de vender jogadores em razão dos problemas financeiros.

— Uma situação que a gente pode falar que trabalhamos no dia a dia e que fatalmente precisamos é que existe uma necessidade de venda de alguns jogadores — afirmou.

Na atual janela, o Botafogo vendeu Marlon Freitas para o Palmeiras, David Ricardo para o Dínamo de Moscou e Savarino para o Fluminense. Não estão descartadas novas saídas para aliviar a situação financeira. O argentino Montoro, de 18 anos, e o colombiano Barrera, de 19, são considerados os maiores ativos do elenco no mercado.

Internamente, John Textor prega tranquilidade e diz que vai conseguir um aporte financeiro para resolver as pendências mais urgentes da SAF. Nos bastidores, o discurso é que o investimento será feito por “amigos” de Textor. O americano não estipulou data para que o aporte esteja disponível para uso do Botafogo.

Ao longo de 2025, Textor entrou em litígio com antigos sócios. A Ares, fundo que emprestou dinheiro para o empresário comprar o Lyon em 2022, cobra a dívida na Justiça. Em junho do ano passado, o americano deixou o comando do clube francês, para evitar o rebaixamento administrativo da equipe.

Outro fundo, o Iconic Sports Management, cobra de Textor o pagamento de US$ 97 milhões. O litígio diz respeito à compra, feita pela Iconic em 2022, de 15,7% das ações da Eagle Football por US$ 75 milhões. Por contrato, Textor se comprometia a recomprar a participação caso a Eagle não fosse listada na bolsa de valores, o que não ocorreu. A Iconic cobra o valor investido acrescido de juros anuais de 11%, o que totaliza o valor da ação.

fonte: ge.globo.com

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