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Família do deputado federal Júlio César preenche mais um cargo na política

Dessa vez, o anedotário político é pelo número de famílias que perpetuam suas castas de pai para filhos, esposas, irmãos e parentes, o que denota ser legal, mas, imoral

Depois do Mapismo – alteração de resultado de eleições através de mapas manipulados por mesários no Piauí, quando ainda eram através de voto impresso, após 25 anos do uso da urna eletrônica, o estado passou a ser o alvo das críticas políticas.

Dessa vez, o anedotário político é pelo número de famílias que perpetuam suas castas de pai para filhos, esposas, irmãos e parentes, o que denota ser legal, mas, imoral.

Como acontece e já acontecera no passado, eis que surge agora o deputado federal Júlio César Lima (PSD), que indicou a sua esposa Juçara Lima, para suplente do candidato ao Senado, com o atual governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

Essa é a filosofia que há anos vem sendo empregada pelo deputado federal Júlio César aos súditos do PSD. A velha política da oligarquia familiar ficou evidenciada na decisão do parlamentar de escolher a esposa para primeira suplência de senador do governador Wellington Dias, em detrimento do apoio de um importante aliado político, o ex-prefeito de Piracuruca Raimundo Alves que, aliás, tem toda razão de se revoltar contra o dirigente regional do PSD no Piauí.

Júlio César é deputado federal; a filha Juliana Lima foi recentemente indicada pelo governador para uma coordenadoria do Agronegócio; o filho Georgiano Neto é deputado estadual; o outro filho, Júlio César Filho, é diretor de finanças do Sebrae-PI, e a esposa será indicada para suplente de Wellington, que poderá ser ministro num eventual Governo Lula.


Juliana Carvalho Lima, filha nomeada recentemente no governo do estado 

Como se não bastasse, ele inda tem parentes infiltrados na política, como a prefeita de Guadalupe, sua cidade natal, Maria Jozeneide Fernandes Lima, a Neidinha (PSD), eleita nas últimas eleições com vários vereadores também do seu partido.

REVOLTA NO PARTIDO

Raimundo Alves, ex-prefeito de Piracuruca-PI, se quiser, terá que se contentar em ser indicado para um cargo qualquer de terceiro escalão, sem nenhuma relevância. E isto, já são muitos possíveis candidatos do partido sem nenhuma chance.


O filho Júlio César, recém empossado no alto escalão do Sebra-Pi com o aval do pai deputado

KASSAB, O PODEROSO

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou que a esposa do deputado federal Júlio César, Jussara Lima, é quem será a 1ª suplente de senador do governador Wellington Dias, que vai concorrer ao cargo nas eleições de outubro.

O anúncio de Kassab aconteceu no momento em que ele chamou Jussara para compor a mesa de honra do evento que filiou deputados do MDB ao PSD. “Ela será a primeira suplente de senador do governador Wellington Dias”, disse Kassab.


Prefeita Neidinha, de Guadalupe, prima de Júlio César, mais uma aquinhioada pelo clã do deputado

O governador Wellington Dias também se dirigiu a Jussara como companheira de chapa. “Saudar a minha querida Jussara, que terei a honra de estar com ela nessa caminhada”, disse Wellington.

Jussara disse ter recebido a missão com responsabilidade e que vai trabalhar para melhorar o Piauí. “Eu recebo com muita humildade e responsabilidade porque estar ao lado de um dos homens públicos mais vitoriosos do estado, que é o governador Wellington Dias, é algo muito desafiador. Mas, vamos trabalhar todos juntos em prol de um Piauí melhor e mais justo com a inclusão da mulher na política e é isso que nós pretendemos”, afirmou.

A escolha de Jussara gerou atrito dentro do PSD porque o ex-prefeito de Piracuruca, Raimundo Alves, estava disputando a vaga. Ele chegou a ameaçar romper politicamente depois de ter sido preterido no processo de escolha, contudo ele garantiu que o apoio a Rafael Fonteles está mantido como substituto de Wellington Dias.

NEPOTISMO

Quase a metade dos deputados federais eleitos em 2014 são herdeiros políticos, ou seja, foram eleitos graças ao capital político de parentes diretos que já ocupavam algum cargo eletivo. O levantamento foi feito pela Organização Não-Governamental Transparência Brasil logo após as eleições legislativas e revelou um aumento de 5% do número de herdeiros políticos eleitos, em comparação ao pleito de 2010. No Senado Federal, a proporção é ainda maior: seis de cada dez senadores fazem parte de clãs familiares.

“A transferência de poder de uma geração a outra de uma mesma família tanto é uma forma de manter no cenário político figuras tradicionais já desgastadas – muitas das quais chegam a ser rejeitadas pelas urnas – como uma maneira de perpetuar práticas políticas arcaicas, que garantem a defesa dos interesses de determinados grupos locais e dificultam mudanças”, destaca o documento.

A diretora de operações da ONG responsável pelo estudo, Juliana Sakai, explica que a iniciativa buscava fazer uma radiografia dos quase 600 parlamentares, entre deputados e senadores, sobre vários aspectos, como a assiduidade ao trabalho e os perfis de projetos apresentados. Mas a genealogia dos representantes foi o que chamou a atenção.

“A partir desse levantamento feito naquela época, nós fechamos o quadro do que eram os clãs políticos. E algo interessante que vimos é que existia um percentual muito alto desses clãs dentro do Congresso, particularmente no Senado. E a gente vê que existem uma série de fatores que ajudam um determinado político a se eleger ou a se reeleger. E a família política, o clã político é um desses fatores”.

Para Ricardo da Costa Oliveira, professor de sociologia política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a estrutura político-eleitoral do Brasil é permissiva a esse tipo de situação.

“O Brasil é uma república do nepotismo, entendendo o nepotismo como uma relação entre parentesco e poder político”.

É preciso ‘entender a influência das famílias políticas e sua lógica de riqueza e poder’ para compreender a história da política brasileira. “Isso aumentou exatamente devido ao controle que estas famílias políticas possuem sobre todas as instituições políticas no Brasil e até ajuda a explicar o golpe de 2016, que foi um golpe destas famílias políticas, dessas oligarquias familiares. E elas controlam de maneira substantiva, e muito mais depois do golpe, o Poder Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, tribunais de contas, a grande mídia, que é toda dominada por interesses familiares, e grande parte do empresariado brasileiro também é formado por estas mesmas famílias”.

De acordo com o relatório da Transparência Brasil, as regiões com maior quantidade de representantes com herança política na Câmara dos Deputados são o Nordeste e o Norte, com 63% e 52%, respectivamente. Já no Senado, Sul, Sudeste e Centro-oeste lideram com 67% de políticos herdeiro em cada região. O que demonstra que se trata de um fenômeno nacional.

De acordo com o levantamento, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB, ex-PMDB) é o partido com a maior quantidade de deputados e senadores eleitos com parentes na política. O Partido dos Trabalhadores (PT) é a legenda com o percentual.

Fonte: Jornaldacidadepi

 

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