prefeito Firmino Filho (PSDB) reforçou, em pronunciamento nas redes sociais, que pretende manter as medidas adotadas em Teresina para reduzir a circulação de pessoas, a fim de evitar a propagação do coronavírus. O gestor criticou a proposta de isolamento vertical, rejeitou investidas pela reabertura do comércio e cobrou do governo federal medidas para enfrentar a crise econômica em decorrência da epidemia de Covid-19.
— O problema [deste vírus] nem é a taxa de letalidade, mas a rapidez da propagação. Se nós deixarmos esse vírus sem nenhum tipo de restrição, sem fazer isolamento, vamos ter uma rapidez nesta propagação e em poucos meses 60% da população vai estar contaminada e 1% dela vai a óbito. É uma aritmética sombria — explica Firmino.
Mesmo admitindo os graves impactos econômicos em decorrência da crise sanitária, o prefeito diz que, neste momento, o mais valioso é preservar a vida.
— Essa doença não é coisa pequena. Temos que ter consciência da gravidade. Especialistas dizem claramente que não temos vacina, não tem remédio para a cura. E qual a alternativa que nós temos? O isolamento social — diz.
Outro problema, ele explica, é que a velocidade com que a doença se espalha tende a causar um colapso na rede de saúde, seja pública ou privada. A prefeitura já tem se movimentado em busca de locais para instalação de hospitais de campanha, para atender casos de baixa complexidade, a fim de liberar leitos nas unidades de saúde que possam ser destinados aos pacientes mais graves.
— Estamos buscando aumentar nossa capacidade de atender toda essa demanda. Mas se a propagação for rápida demais, não vai ter hospital de campanha que consiga dar assistência mínima — justifica Firmino.
Isolamento vertical
Na live, o prefeito ainda criticou a proposta de isolamento vertical defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.
— O que é o isolamento vertical? Vamos separar o grupo de risco, deixar idosos isolados do resto da família, do mercado de trabalho. Mas as experiências de isolamento vertical não tem funcionado. Não é possível não ter contato, os idosos precisam da gente, dos mais novos. O isolamento vertical é uma falácia — critica.
Impactos na economia
Firmino acredita que diante da crise econômica instalada, os governos federal, estaduais e municipais precisa primeiro se alinhar às orientações das autoridades sanitárias. Precisam ainda impor medidas preventivas, para evitar uma grande recessão e a avalanche de desemprego.
— As medidas preventivas dependem da reação das autoridades econômicas. Se o vírus estiver circulando na cidade, as pessoas não vão circular. Qual cliente vai ao shopping comprar? Qual trabalhador vai no chão de fábrica arriscar a própria vida? Toda grande epidemia traz graves consequências econômicas (…) O caminho mais humano para lidar com essa crise é através das medidas restritivas — defende o prefeito.
Cabe aos agentes econômicos, diz Firmino, injetar dinheiro na economia, principalmente na mão dos mais vulneráveis, colocar dinheiro na mão de quem está sofrendo com a crise. E cita o exemplo dos Estados Unidos, onde mesmo com um governo de direita e conservador, a injeção de dinheiro no mercado tem sido alternativa encontrada para driblar a crise.



