Vereadores divergem sobre responsabilidades em crise do transporte público de Teresina
Tema provocou debates entre parlamentares da oposição e da base do prefeito Silvio Mendes.
Vereadores da Câmara Municipal de Teresina se manifestaram durante sessão realizada nesta terça-feira (19) sobre a grave crise no transporte público da capital. Motoristas e cobradores paralisaram parcialmente as atividades nessa segunda-feira (18) em meio ao estado de greve aprovado pela categoria, que reivindica reajuste salarial, recuperação de benefícios retirados nos últimos anos e melhores condições de trabalho.
O tema provocou divergências entre parlamentares da oposição e da base do prefeito Silvio Mendes (União Brasil) sobre quem deve assumir a responsabilidade pela crise enfrentada pelo sistema de transporte coletivo da cidade.
O vereador de oposição Edilberto Borges, o Dudu (PT), criticou duramente a gestão municipal e afirmou que a Prefeitura de Teresina não conseguiu solucionar os problemas estruturais do transporte, mesmo com os subsídios pagos mensalmente às empresas.
“Tem uns vereadores que recebem R$ 25 mil do povo de Teresina e querem transformar o plenário em palco de circo. O povo pobre dessa cidade merece respeito. O problema do transporte público continua porque falta capacidade administrativa da gestão”, afirmou.

Vereador Dudu (PT)
Segundo o parlamentar, o município repassa cerca de R$ 6 milhões mensais ao Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), além de recursos destinados ao transporte rural e ao sistema “Transporte Eficiente”, sem que haja melhoria efetiva na prestação do serviço.
Dudu defendeu ainda a rescisão do atual contrato com as empresas responsáveis pelo sistema e a realização de uma nova licitação emergencial. “Eu já disse e eu bato na mesma tecla, ou se rompe esse contrato, abre-se uma emergencial e uma nova licitação, ou nós não teremos a solução do problema do transporte público. Ela envolve os três moldais de transporte público, tanto o urbano como o eficiente, como o rural. Os três são caóticos e os três pegam do dinheiro do povo de Teresina, por mês, quase R$ 7,2 milhões. É R$ 6 milhões por urbano, é R$ 400 mil por rural, é um tanto outro R$ 300 e pouco mil para o eficiente e nós não temos nada de eficiência”, declarou.
Já o vice-líder do prefeito na Câmara, Pedro Alcântara (Progressistas), afirmou que o impasse envolvendo salários e benefícios deve ser resolvido entre trabalhadores e empresários do setor.

Pedro Alcântara, vereador de Teresina
“Quero me solidarizar com os trabalhadores, dizer que eles têm todo o direito de reivindicar, que merecem ter um reajuste. Mas essa questão é uma pauta que diz respeito à classe laboral e à classe patronal. A prefeitura cabe dar ao cidadão teresinense a alternativa de transporte. Isso está sendo feito. Se houver paralisação, vai ter vans, vai ter alternativa, enfim. Transporte para que a combinação não fique no prejuízo”, disse.
O vereador informou que a gestão municipal pretende disponibilizar vans e ônibus alternativos caso as paralisações avancem. Ele também defendeu a liberação de recursos para renovação da frota do transporte coletivo.
“Eu falei hoje na tribuna que eu queria o apoio do PT para liberar o dinheiro do BNDES e do Ministério da Cidades para a condição do governo. Isso resolve o problema. Já os salários não são com a prefeitura. É com o patrão e o tribunal do trabalho. Nós vamos colocar ônibus agora. A questão do emprego é com o patrão. Se a prefeitura criar uma companhia municipal de transporte ai sim”, afirmou.
Câmara aprova audiência pública
Durante a sessão, os parlamentares aprovaram a realização de uma audiência pública para discutir a situação do transporte coletivo da capital. A proposta foi apresentada pelo vereador João Pereira (PT).
A data do encontro ainda será confirmada pela Câmara, mas a previsão é que ocorra na próxima sexta-feira (22) ou na segunda-feira (25). A audiência deverá reunir representantes da Prefeitura, sindicatos patronal e trabalhista, além da população usuária do sistema.

Crise no transporte público se arrasta há anos em Teresina
TRT tenta acordo entre trabalhadores e empresas
Paralelamente às discussões na Câmara, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Piauí (Sintetro) e do Setut vão participar nesta terça-feira (19) de uma nova rodada de negociação mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Piauí (TRT-PI). A reunião está prevista para às 15h e pode definir o encerramento do estado de greve.
Segundo o Sintetro, existe expectativa de avanço nas negociações. A categoria mantém paralisações parciais de duas horas por dia até sexta-feira (22), enquanto aguarda proposta considerada satisfatória pelos trabalhadores.
Com informações do portal O Dia



