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AÇÃO PARLAMENTAR

Alepi promove Roda de Conversa para discutir diagnóstico e tratamento da endometriose

Doença inflamatória crônica, não possui cura e pode afetar outros órgãos e causar infertilidade

A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), por meio do Setor Médico da Casa e do Núcleo de Saúde da Mulher, promoveu a roda de conversa “Endometriose: Conhecer para Cuidar” na manhã desta segunda-feira (25). A iniciativa faz alusão ao Dia Mundial da Saúde da Mulher, celebrado anualmente em 7 de maio.

Trata-se de uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Além de provocar dor, a endometriose é uma doença sistêmica, que pode afetar diversos órgãos, além de ser associada a infertilidade.

Um dos profissionais que participaram do evento foi o médico Marizon Armstrong, especialista na doença e coordenador de Ginecologia do Hospital São Marcos. Ele pontuou que são comuns sintomas como fadiga crônica e impactos sociais, como o isolamento da paciente. Além disso, a endometriose carece de abordagem multiprofissional no seu tratamento, daí a importância de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da doença. Além disso, ele chamou atenção para o tempo médio para diagnóstico: entre sete e 12 anos.

“A doença não aparece em exames de rotina, a maioria das pacientes só recebem o diagnóstico após os 30 anos de idade, depois de passar por diversos profissionais. A endometriose é uma doença sem cura, mas com controle”, disse.

Marizon Armstrong também destacou que pacientes de endometriose têm uma percepção diferente da dor.

“Uma mulher com dor crônica é como se, a cada minuto, levasse 25 tapas na cara. Isso muda sua forma de entender e vivenciar o mundo”, disse.

A alimentação adequada é um dos pontos cruciais para pacientes com endometriose. Segundo a nutricionista Eveline Constantino, uma dieta com alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes deve ser o foco, com atenção direcionada à fase da doença na qual a paciente se encontra.

“O nutricionista precisa entender, junto à equipe, o prognóstico da doença, para promover a melhor alimentação para a paciente em cada etapa”, disse.

Além disso, é fundamental a prática de exercícios físicos, tanto na prevenção quanto no tratamento. O profissional de educação física Childerico Robson explicou que existem exercícios adequados, seja pela duração ou pela intensidade.

Por isso, a importância de acompanhamento profissional, de forma a adequar o programa de exercícios à realidade de cada paciente.

Projeto de Lei Ordinária n.º 80/2026 – O Piauí vivencia um passo a mais no enfrentamento da endometriose. Isso porque tramita na Alepi um Projeto de Lei, de autoria da deputada Gracinha Mão Santa (MDB), que institui a Política Estadual de Atenção Integral à saúde da mulher com endometriose.

A iniciativa se propõe a trabalhar o tripé do enfrentamento: controle da dor e da progressão da doença, e o tratamento da infertilidade.

O PLO também institui o cadastro estadual de pessoas com endometriose, e o Selo Amarelo de luta contra endometriose, bem como o mês oficial de combate.

Gracinha Mão Santa destaca que, com a política pública, busca-se garantir direitos a atenção à saúde, a organização da rede de serviços, monitoramento e avaliação.

“Falta muita informação e causa muita dor, principalmente a quem não tem acesso direto a um especialista. Muita gente não sabe identificar, se automedica e, dessa forma, não melhora nem os sintomas nem o bem-estar”, frisou.

Já o Selo Amarelo se destina a reconhecer e incentivar iniciativas que promovam ações de conscientização, prevenção e acolhimento no tratamento da endometriose.

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